segunda-feira, 8 de julho de 2013

Poético

Não aprendi a rezar. Apenas aprendi a dizer meia dúzia de palavras que dessem alguma forma aos meus sentimentos.
Mais ou menos como fazem os poetas, mas com um tom menos romântico e mais sincero.

Até que um dia precisei fazer um pedido. E ele não poderia ter as pompas da ave-maria, muito menos o tamanho do creio-em-Deus-pai. Pedi, então, do jeito mais infantil e direto: QUERO UM AMOR.

Não um amor desses de cinema, com beijos longos e pouca roupa. Quero um amor.
Um amor que fosse um tantinho doce, um bocado salgado, com pitadas de emoção. Amorzinho duradouro, que não fizesse caso por conta do tempo ou da distância. Amor que despertasse uma saudade calorosa, que resultasse em abraços apertados e que me fizesse ter vontade de chorar a cada desafio vencido em conjunto.
Ah! Já que eu estava ali, fazendo a ladainha do homem pidão, aproveitei para pedir um amor que fosse o mais sincero possível, que dissesse “eu não gostei” ou “você me magoou” antes que a mágoa virasse ferida. E, para acabar, pedi que esse amor não acabasse. Nunca.

Nem mesmo os melhores clérigos poderiam imaginar que uma prece tão inocente tivesse resultados tão imediatos. Como num lampejo, mandaram-me não só um amor! Mas dois, três, dez! E a eles deram o nome de AMIGOS.


E, cercado de amor, lembrei-me de que não sabia rezar. Mas sabia agradecer.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

#Paciência

Fala-se da necessidade urgente de um mundo mais tolerante, menos preconceituoso e mais aberto a uma nova realidade que se desdobra diante dos nossos olhos. Mas o que falta mesmo é PACIÊNCIA.

E pode ser que nas horas loucas do cotidiano nos esqueçamos do significado mais profundo dessa palavra, que nada mais é do que a virtude de suportar infelicidades ou tristezas causadas por problemas das mais variadas espécies.

Falta-nos, portanto, paciência para entender que o direito de alguém não prevalece sobre o direito de milhares e que o direito de milhares muitas vezes exclui alguém. Para compreender que a felicidade do outro pode ser diferente da nossa. Que os valores de um nem sempre são iguais aos de todos.

E, claro, falta-nos paciência de esperar em uma fila, de aguardar um idoso atravessar a rua, de deixar um carro passar...

Fico pensando, às vezes, no pior tipo de impaciência que existe: aquela que não ouve o desabafo de um amigo, que foge de uma discussão – saudável – com @ namorad@, que impede de dar um conselho, que faz agir impulsivamente.

Embora não seja afeito a citações bíblicas – por considerá-las piegas e descontextualizadas – há uma muito apropriada, do Eclesiastes: Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o altivo de espírito.

E já acabo aqui, sem paciência de pensar em um final mais impactante.